Na narrativa científica sobre o Shilajit, o ácido fúlvico tem sido frequentemente destacado como um composto central devido à sua capacidade de funcionar como “transportador” de nutrientes, antioxidante e facilitador da absorção celular. Contudo, a ação do Shilajit não se reduz a um único princípio ativo.
Um grupo de moléculas com um papel bioquímico significativo — as dibenzo‑α‑pironas (DBPs) — tem vindo a receber crescente atenção pela sua contribuição potencial para os efeitos fisiológicos observados desta matriz complexa.
O que são Dibenzo‑α‑Pironas?
As DBPs são compostos polifenólicos estruturais naturais, com semelhanças estruturais às urolitinas — moléculas produzidas endogenamente pelo trato gastrointestinal a partir da degradação de polifenóis dietéticos. Estas semelhanças não são meros pormenores químicos: apontam para potenciais efeitos celulares partilhados, nomeadamente ao nível da energia mitocondrial e da defesa antioxidante. No que se refere ao Shilajit, as DBPs encontram‑se já numa forma potencialmente mais biodisponível, o que pode facilitar a sua utilização celular sem depender do metabolismo microbiano intestinal.
Mecanismos de ação associados às DBPs
As DBPs têm propriedades de antioxidantes direcionados à mitocôndria, atuando diretamente onde as células geram energia e onde ocorre a maior parte da produção de radicais livres. Estas moléculas podem:
- Facilitar a remissão de eletrões essenciais para a cadeia de transporte mitocondrial;
- Reduzir o stress oxidativo intracelular;
- Contribuir para a manutenção de níveis de ATP (a “moeda energética” das células),
o que, em teoria, está associado a uma redução da fadiga e a melhor adaptação fisiológica ao esforço.
Adicionalmente, foi observado que, em combinação com coenzima Q10 (CoQ10), as DBPs podem atuar como um reservatório de eletrões, ajudando a estabilizar a forma reduzida da CoQ10 (ubiquinol), prolongando a sua ação antioxidante e suportando processos redox mitocondriais de forma mais eficaz do que a suplementação isolada com CoQ10.
O “Entourage Effect” do Shilajit
O Shilajit é uma matriz natural composta por uma combinação sinérgica de:
- Ácido fúlvico (transportador e facilitador da absorção);
- Dibenzo‑α‑pironas (antioxidantes mitocondriais e doadores de eletrões);
- Minerais essenciais (co-factores enzimáticos e suporte estrutural);
- Ácidos húmicos e outros compostos bioativos (apoio redox e equilíbrio estrutural).
Este conjunto de componentes pode produzir um efeito de sinergia funcional superior ao dos seus elementos isolados — um processo muitas vezes descrito como entourage effect, em que a totalidade molecular do Shilajit potencializa a sua ação biológica.
Implicações para a prática clínica
Embora grande parte da investigação sobre DBPs ainda esteja em fase emergente, a presença destes compostos no Shilajit oferece um racional plausível para os seus efeitos observados sobre:
- A bioenergética celular;
- A defesa antioxidante mitocondrial;
- A resiliência fisiológica em contextos de stress metabólico.
Esta perspetiva sustenta a consideração do Shilajit como suplemento com base científica robusta para suporte em estratégias de saúde integrativa centradas na energia celular, adaptação ao stress e resistência funcional.
Fonte:
Bhattacharyya S. et al., Shilajit Dibenzo‑α‑Pirones: Mitochondrial targeted antioxidants, Pharmacologyonline 2: 690-698 (2009)




