A menopausa representa um período de transição fisiológica marcado por alterações hormonais profundas, frequentemente acompanhadas por sintomas vasomotores, perturbações do sono, alterações do humor e impacto significativo na qualidade de vida. Em mulheres com diagnóstico prévio de cancro da mama, a gestão destes sintomas torna-se particularmente complexa, dado que a terapêutica hormonal de substituição pode não ser recomendada.
Neste contexto, a Actaea racemosa (sinónimo botânico de Cimicifuga racemosa) tem sido amplamente estudada como opção fitoterapêutica não hormonal. A literatura científica sugere que os seus efeitos não decorrem de uma ação estrogénica direta, mas sim de mecanismos moduladores centrais, possivelmente envolvendo neurotransmissores como a serotonina e a dopamina, bem como vias neuroendócrinas associadas à regulação da termorregulação.
O estudo publicado na Journal of Clinical Trials avaliou a eficácia da Actaea racemosa em mulheres com sintomas menopáusicos, incluindo um subgrupo com história de cancro da mama. Os resultados demonstraram uma redução significativa dos afrontamentos e da intensidade global dos sintomas, com boa tolerabilidade e ausência de estímulo proliferativo mamário identificado durante o período de observação. Estes dados reforçam o interesse clínico da planta em contextos onde a abordagem hormonal não é desejável.
Adicionalmente, o estudo refere a relevância do Vitex agnus-castus, planta tradicionalmente utilizada na regulação do eixo hipotálamo-hipófise-ovário. O Vitex parece atuar sobretudo na modulação dopaminérgica, podendo contribuir para o equilíbrio sintomático global em mulheres na perimenopausa e menopausa, especialmente em casos de instabilidade neuroendócrina.
Do ponto de vista farmacológico, a Actaea racemosa contém triterpenos glicosilados, compostos fenólicos e outros fitoativos associados à modulação da resposta vasomotora e à redução do desconforto menopáusico. A ausência de atividade estrogénica direta significativa tem sido um dos argumentos que sustentam o seu uso em mulheres com histórico de patologia mamária, embora a decisão clínica deva ser sempre individualizada.
Na prática clínica integrativa, a combinação de Cimicifuga racemosa e Vitex agnus-castus pode oferecer uma estratégia não hormonal de apoio à mulher na menopausa, com impacto potencial na qualidade de vida e na adesão terapêutica.
É neste enquadramento que surge o Meno-Z Dharma Botanicals®, cuja formulação integra ambos os ingredientes, selecionados pela sua relevância tradicional e pelo suporte científico e clínico disponível. Adicionalmente, esta fórmula garante padronização e qualidade da matéria-prima, fatores determinantes para garantir consistência e previsibilidade clínica.
Num cenário em que a menopausa é cada vez mais abordada sob a perspetiva da longevidade funcional e da saúde global da mulher, a integração criteriosa de fitoterapia baseada em evidência constitui uma ferramenta adicional para o profissional de saúde.
Embora a Actaea racemosa (também conhecida como Cimicifuga racemosa) não faça parte do cânone clássico ayurvédico tradicional, a sua utilização em abordagens integrativas modernas tem sido influenciada por princípios compatíveis com a filosofia ayurvédica. No Ayurveda, as plantas são avaliadas segundo atributos como rasa (sabor), guna (qualidade) e veerya (potência), bem como o seu efeito sobre os doshas — Vata, Pitta e Kapha — que refletem diferentes padrões funcionais do organismo.
A Actaea racemosa tem sido utilizada em contextos ocidentais para apoiar o conforto feminino durante a menopausa, perfilando-se como um agente que contribui para a estabilidade do sistema nervoso central e para a sensação de equilíbrio emocional. Esta propriedade remete diretamente para conceitos ayurvédicos associados à manutenção da harmonia entre mente (Manas) e corpo, sobretudo em fases de transição hormonal em que o Agni (o “fogo digestivo/metabólico”) e o equilíbrio dos doshas se encontram mais desafiados. Embora não seja uma erva nativa da Índia, o Ayurveda integra-a pelas suas propriedades amargas, doces e salgadas, agindo sobre o sistema reprodutor e nervoso, para equilibrar desordens hormonais femininas, sintomas da menopausa e dores de base Vata.
Antegração da Actaea racemosa em práticas ayurvédicas contemporâneas reflete uma ponte entre a sabedoria tradicional e a evidência científica moderna. Esta visão holística considera não apenas os sintomas isolados, mas o impacto funcional global no organismo — uma perspetiva que ecoa nos princípios da medicina integrativa.
Ao incorporar esta perspetiva no diálogo com profissionais de saúde, sublinha-se a abertura do Ayurveda para integrar novas plantas com perfis fitoquímicos e funcionais relevantes, desde que contextualizadas com rigor e responsabilidade clínica




